Como a masculinidade saudável pode auxiliar as mulheres no mercado da tecnologia

A imagem traz três símbolos, o do gênero feminino, o de igualdade e, o do gênero masculino. Representando, assim, o papel da masculinidade saudável na busca por equidade.

Nosso mundo é muito amplo e conectado, com diversas formas de pensamento, culturas, economias e etnias. São múltiplas realidades em todo canto! 

No entanto, ainda há aqueles que vão tentar nadar contra a maré de evolução da sociedade, mantendo padrões única e exclusivamente para a manutenção dos privilégios de poucos.

Este papo tem a ver exclusivamente com o caminho que você empresário, colaborador, chefe ou líder, secretário ou gerente quer seguir e focando principalmente na área de tecnologia.

A inserção de mulheres neste mercado está cada vez mais recorrente, e o espaço conquistado por elas tende a aumentar.   

O lugar delas, é onde elas quiserem!

Você percebeu que, em uma frase ali em cima, eu escrevi a palavra secretário?

Bom, se realmente não notou e, sendo homem cisgênero, se viu ou lembrou de um outro homem cisgênero trabalhando como secretário executivo, então parabéns, sinal de que você não está mais somente vivendo alienado no mundo binário padrão.

Agora se você leu secretário e riu ou achou estranho, bom… eu tenho uma ótima notícia para te dar: saiba que não está sozinho e, isso significa que temos muito o que aprender juntos.

Eu dei o exemplo trazendo para uma realidade masculina, incluindo um homem em uma posição mundialmente famosa por possuir mais mulheres exercendo-a, isso significa que exercer o ofício de secretariado executivo é exclusivo para um gênero? Claro que não! 

Mas, se eu lhe perguntar quantas mulheres programadoras web você possui no seu time ou empresa, o que você me responderia? Quantas mulheres técnicas de suporte estão nesse exato momento consertando impressoras? 

Neste mundo não há mais espaço para a monocromática visão de que homens são mais racionais, portanto, teriam mais vínculo com áreas de lógica, as famosas exatas. Ou ainda, que mulheres são muito emocionais, por isso não são boas em tecnologia. 

Se, por alguma razão, existe o entendimento enraizado de sua parte de que elas não servem para as ciências exatas, eu entendo, pois grande parte dos homens nasceram e foram criados assim. Mas esta é uma realidade do passado, que não existe mais.

Há mulheres como Katie Bouman, responsável por criar um algoritmo capaz de entender milhares de dados astronômicos e desenvolver a primeira imagem de buraco negro na história da humanidade e Ada Lovelace, que no século XIX, escreveu o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina.

Temos ainda Edith Clarke, Grace Hopper, Mary Kenneth Keller, Hedy Lamarr, Katherine Johnson entre outras dezenas de mulheres reconhecidas por seus grandes feitos nas áreas de exatas! 

Entretanto, grande parte dos estudantes de tecnologia não conseguem nomear sequer uma única mulher famosa trabalhando na mesma área, porém, certamente Bill Gates, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos já ouviram falar.

Inclusive, no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, fizemos uma publicação nos perfis da PrintWayy nas mídias sociais, enaltecendo estas e outras mulheres, as quais tão bravamente se inseriram neste mercado, e comprovaram seu poder perante aos que delas duvidavam.

A imagem possui fotos de mulheres as quais são destaque na área de ciência e tecnologia: Radia Perlman, Grace Hopper e Irmã Mary Kenneth Keller.

O artigo “Por que o machismo cria barreiras para as mulheres na tecnologia” disposto no site Programaria, aponta uma fala importantíssima da socióloga e autora de uma pesquisa de doutorado a qual investiga a presença feminina no âmbito do TI, Bárbara Castro, onde a mesma relata que:

“A maneira como nossa sociedade pensa e define o que é ser mulher e o que é ser homem tem relação direta com o desenvolvimento de suas habilidades e competências.” 

Compreenda e pratique a masculinidade saudável

Se você chegou até aqui é porque percebeu um sentido em tudo o que estou escrevendo, veja só, será que você é parecido comigo? Me chamo Gabriel, sou homem cisgênero (cis significa que me identifico com meu gênero de nascença), branco, heterossexual (indivíduo que se sente atraído afetiva e sexualmente pelo gênero oposto), tenho 27 anos e trabalho na área de tecnologia há quase 10. 

Embora não seja de condições financeiras abastadas, com muito trabalho, nunca me faltou nada, sendo que, depois de formado na faculdade de Sistemas de Informação, oportunidades não faltaram, e jamais fui questionado sobre meu conhecimento ou capacidade de adquirir tal. 

A vontade de lutar contra o padrão o qual somos submetidos se iniciou pelo conhecimento do termo masculinidade saudável na minha vida e hoje, 02 anos depois de ouvir pela primeira vez o termo acima, facilito círculos seguros de fala para homens refletirem sobre sua masculinidade, abrindo-se para novos pensamentos e também suas próprias vulnerabilidades. 

Isso mudou minha vida, conhecer tantas histórias de homens reprimindo suas vontades e emoções, podendo correlacionar essas vulnerabilidades reprimidas com as diversas formas de violência que nós, homens, praticamos todos os dias com todas as pessoas que não fazem parte do nosso padrão, não é tão difícil. 

Deixo aqui a sugestão de um documentário chamado O Silêncio dos Homens, disponível no YouTube, caso você se interesse em conhecer um pouco mais sobre esse assunto!

Sejamos nós parte da mudança

Quando falo sobre violência eu não estou me direcionando somente para a física. Existe violência emocional, patrimonial, sexual e números alarmantes sobre todas elas, disponíveis rapidamente no seu buscador preferido na internet e a chance de eu e você termos reproduzido algumas delas ao longo da nossa vida pelo simples fato de nos reconhecermos como homens é muito grande. 

Essa reflexão serve para dar um passo diferente aos demais. Começar a olhar para dentro e identificar em si todas as suas necessidades e dificuldades, ser honesto consigo mesmo e se pôr em teste. 

A falta de diversidade na tecnologia é prejudicial para todos. Não ter diversidade de pessoas, pluralidade de ideias é a mesma coisa que assumir que já se sabe sobre tudo e que em nenhum momento precisarás ouvir uma segunda opinião e isso, nada tem a ver com o mundo em evolução.

Daqui pra frente, espera-se que os profissionais de tecnologia atualizem o software chamado ser humano, e não permitam que suas configurações de empatia fiquem defasadas.